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VITÓRIA DA CONQUISTA

Tenho passado exato
nas ruas dessa cidade.
Um ano e meio.
Penso que nunca esteve claro
o que posso mastigar em ti, Vitória da Conquista...

O verde tornou-se-me aguado.
Enxovalhos me são dados ao
pescoço tenso; e a angústia que tive de tudo
me levou os planos da face

Até meus pés que andavam
de asas abertas - suspeitos de tocar outrora
o céu - vagueiam famintos tal pobre criança
perdida em dias de feira

Sob a fonte lisa o homem que se me ergue
- Sim! Para tocar o chão e ranger sob
os pés a farofa de pedras - se depara com
a feiura de um moço que pergunta:
"o que posso mastigar em ti?"

O que é um homem então senão um pássaro
que voa porque voa, sem razão para voar?!
Que coisas arderiam no chão real para que houvesse
aqui um motivo?! Eu ando, de vez que teimo em fazê-lo;
Eu ando porque de outro modo já teria ficado!

É isso que faz os pássaros, é isso que faz os peixes
e cavalos e leões. É também isso que faz os poemas.
Ora, Vítória da Conquista, isso também te faz:
Teus passos, tão secretos dentro em todos, não carecem
de uma única justificativa... Andemos, pois, então!