sab, 08/08/2009 - 22:24
Falta inda uma parte que ficou,
Talvez, de fora desse teu retrato
É uma vontade que ora te dou
Como dor que, sem pátria, mistificou
Um peito de amores que mesmo
Não sei. Uma mulher nascida
Da ciranda cotidiana do ermo
E que se reinventa, à própria lida,
Navegante profunda do mar aedo
É sempre tua, moça do retrato,
A palavra minha que nunca terei
Mas que teimo neste contrarelato
Achando que um dia enfim tocarei
A dispersa dor, tímida flor de teu tato
A diversa infinitude, lar do teu termo
Resgatando de mim o poema secreto!