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Amor

VITÓRIA DA CONQUISTA

Tenho passado exato
nas ruas dessa cidade.
Um ano e meio.
Penso que nunca esteve claro
o que posso mastigar em ti, Vitória da Conquista...

O verde tornou-se-me aguado.
Enxovalhos me são dados ao
pescoço tenso; e a angústia que tive de tudo
me levou os planos da face

Até meus pés que andavam
de asas abertas - suspeitos de tocar outrora
o céu - vagueiam famintos tal pobre criança
perdida em dias de feira

Sob a fonte lisa o homem que se me ergue
- Sim! Para tocar o chão e ranger sob
os pés a farofa de pedras - se depara com
a feiura de um moço que pergunta:

PANO MOFADO

Agora, no meu coração, queima Dora.
Com sua magreza de pulso extremado.
Ontem os mares pareciam perdidos.
Ian e a rua: dois rumando para o nada.
Pasteis chineses e breves curativos
(A minha presença não trouxe nada).
Mas agora Dora queima em meu peito:
Todas as angústias serão inventadas!

QUANDO EU ME FOR EMBORA

Quando eu me for embora, Maria, não
Te tranques em teu coração,
Nem te bastes às minhas promessas.
Tampouco te bastes nesta dor de paixão.

Quando eu me for, Maria, embora
Deixar-te-ei os dias, deixar-te-ei auroras
Por isto, meu amor, Maria, não te tranques
Em teu coração quando enfim chegar-me a hora...

Lembra-te só das coisas miúdas
(Quão triste foi a lua deste nosso amor)
Verás então – não menos absurdas –
Pequenas contas de fé que em ti este poeta regou

Lembra-te apenas das tardes serenas,
Dos beijos e risos, das noites em flor
Saberás então – em dores amenas –

POEMA DO AMOR NO TEMPO

Quanta calma carregas no olhar
Foi-se o tempo da dor materna
Restou-te de tudo a amena
A imensa face da rosa não colhida

Que seria a esse mundo então,
Onde coisas perdem o rumo, apenas
Uma triste rosa não colhida
Mas te sentas como faz uma criança

- É quando quase te escapole o riso -
E resta uma esperança na face tua
Que muitos outros chamariam de abrigo
E o teu peito está aberto, assim também

Está a tua alma e a mão tua de cristo
Espalmada. E eu, amada, me pergunto
Quantas rosas colhi ao vago da estrada
Antes de saber que foste tu a rosa escolhida...