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"Comecei assim, sem saber o que iria fazer. Apenas soube que iria, sem motivos para saber, nalguma direção contrária ao abafamento de vozes que se deu por aí. Nessa quase ausência de motivos - creio - me fiz o meu motivo; tombei meus primeiros rinocerontes. Mastiguei-me o nome homem para cuspir um rio sempre a passar, para cair após a vírgula como um poeta sempre a passar. Assim, já não escrevo o meu nome..."

VITÓRIA DA CONQUISTA

Tenho passado exato
nas ruas dessa cidade.
Um ano e meio.
Penso que nunca esteve claro
o que posso mastigar em ti, Vitória da Conquista...

O verde tornou-se-me aguado.
Enxovalhos me são dados ao
pescoço tenso; e a angústia que tive de tudo
me levou os planos da face

Até meus pés que andavam
de asas abertas - suspeitos de tocar outrora
o céu - vagueiam famintos tal pobre criança
perdida em dias de feira

Sob a fonte lisa o homem que se me ergue
- Sim! Para tocar o chão e ranger sob
os pés a farofa de pedras - se depara com
a feiura de um moço que pergunta:

CONVERSA PARA UM ESPELHO

Tenho andado resignado.
Meu bestiário tem se contentado
Com apenas poucas feras.
Há um riso (manco),
Um infinito pela janela.

Um olhar tão mais breve
Cai sobre as coisas.
É chegado um tempo.
Uma hora.
Vontade.

Das aldeias do mundo,
Não chegam mais telegramas.
As crianças sabem.
As crianças não sabem.
As crianças são!

Tem muitos anos,
O muro de Berlim caiu
(Aquela moça do jornal...
Nem é mais moça).

Morreu Carlos Drummond de Andrade!
Morreu, inclusive, a Morte...

DORA MOON

Com mãos para o mundo, andávamos calados.
Os lábios já, de nós, gaguejavam a sede antiga:
Tínhamos vida, Dora Moon, e a primavera não morria.
Bastávamos e respirávamos algum lugar de nossa fuga.
Tínhamos pele, eu levava alguns mortos,
Junto, entre, um par furado de velhos sapatos.
Ah! também um desejo dos olhos nos olhos teus.

)Feiuras e risos deliquenciais, numa antiga esquina de nossa memória(
Nossa filosofia era o desejo, e tu me estendias os braços
Quando eu pregava no teu sono a nervura daquelas asas.

ERA ISSO

PANO MOFADO

Agora, no meu coração, queima Dora.
Com sua magreza de pulso extremado.
Ontem os mares pareciam perdidos.
Ian e a rua: dois rumando para o nada.
Pasteis chineses e breves curativos
(A minha presença não trouxe nada).
Mas agora Dora queima em meu peito:
Todas as angústias serão inventadas!